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Eu senti os cheiros, de crianças de jovens e até dos velhos…

Eu ouvi os gritos de mães e de pais, impotentes segurando os rostos dos filhos inocentes…

Eu senti o medo deles, e por eles chorei…

Eu vi  aqueles sapatitos, rotos de tanto andar, rumo ao rio que desaguava no mar…

Os corpos se transformaram, deram lugar a outras gentes, que deambulam entre nós, e nós pensamos que acompanhados, carregamos heranças tristes e sós…

Eu estive lá, não pude fazer nada, porque nada, já lá não estava…

Apenas aqueles pares de sapatos, grandes, pequenos, de homem ou mulher, para nos lembrar eternamente, que eles também eram apenas gente…

Gente como cada um de nós, só não tiveram a sorte de viver, e ter uma melhor morte…

Sim, eu estive lá, e lá, tem o testemunho das vidas perdidas, lançadas ao rio , agora moldadas em ferro, para que quem ali passe, para sempre se lembre deles…

Escrevo sobre as vítimas de holocausto, nas margens do rio Moldava,  e sim, eu estive lá, e todos deviam lá ir, para sentir o que é nao pertencer , a todos  que lá tiveram que morrer, acompanhados, em grupos, mas para sempre tristes e sós, impotentes a um regime, que dele não queremos mais…

Mas o mundo não aprende, e está a repetir tudo novamente…

EU E MUNDO

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