AS MINHAS PESSOAS !

Comecei a escrever, mas, apaguei e saí por aí!

Dei a volta ao tempo, do tempo que não volta  aqui!

Perdi-me nas encruzilhadas, ainda bem, lá senti-me como ninguém!

Pude recordar sorrisos,  lágrimas,  abraços agora nulos  e escassos!

A falta está sempre aqui, por esse  tempo que vivi!

As pessoas são insubstituíveis, por isso, precisamos sempre de mais e mais, de preferência um pouco iguais!

Comecei a escrever, mas, apaguei e saí por aí…

OS ANOS LOUCOS

ENQUANTO EXISTE !…

Les Jardins du Luxembourg

TELMO!… O colega que se seguiu… :/

Depois existiu o Telmo, rapaz muito na dele, mas quando abria a boca, era só para dizer palavrões, por tudo e por nada, como se os palavrões fossem uma linguagem corrente!

Não se metia com ninguém , mas outros  metiam-se com ele, umas vezes levava a melhor, outras não, e, nunca percebi se era apenas para exercerem bullying sobre ele, ou se era para o ouvirem a dizer palavrões cabeludos, fosse como fosse, era uma forma de bullying! (que chique)

Telmo era de uma aldeia próxima, chamada Nabais, por causa desse nome, muitas vezes lhe chamavam nabo, ao que ele respondia prontamente que o tinha no meio das pernas e cuidado para não o espicaçarem, caso contrário palavreava ainda pior, de tal forma que até as paredes podiam ficar  vermelhas!

Tal como o Moisés,  também o Telmo (embora antípodas), não fazia parte do meu grupo mais directo, apenas  chamava à atenção de todos, pela sua linguagem porca!

Um dia, íamos a entrar na sala de  aulas, ordenadamente, mas, todos ao molhe e fé em Deus, quando alguém atrás de mim me deu um empurrão (ainda que leve) , de imediato virei a cabeça, e, quem estava precisamente atrás, o Telmo, não me fiz rogada e espetei-lhe um valente estalo! (teve que ser :/ )

Ele, ficou estático a olhar para mim, com a sua mão sobre o lado onde lhe bati, e apenas me disse:

– Porque me deste um estalo?

– Não fui eu, foram os Ca***** atrás que me empurraram, f***-se, é sempre a mesma m***da!

– Olha, para a próxima mantém distância, pelo menos  de mim, assim não levas mais estalos – Respondi-lhe prontamente.

Porém, foi inevitável que dentro da sala de aula, de vez em quando, eu não olhasse para ele, com pena, pois a minha mão, permaneceu  marcada de uma forma que até a mim me doía, eu a olhava,  como que, querendo que aquela marca desaparecesse rápido, para eu me esquecer do quanto tinha sido injusta, mas, na verdade não poderia ter feito diferente, lei da selva!

Naquele tempo não havia lugar a muitas desculpas, corria-se o risco de se passar a ser o bombo da festa!

Coisas de outros tempos, hoje em dia, bate-se por dá cá aquela palha, e mantém-se o distanciamento por causa de um vírus :/ !

Também nunca mais soube nada do Telmo!…

OS ANOS LOUCOS

MOISÉS!…Não seria um acaso o seu nome!

Nunca mais soube dele, assim como de tantos colegas de turma que tive, e que não eram do meu grupo, éramos o “famoso” 9ºB!

A vida passa, e com ela perdemos-nos ou achamos-nos pelo caminho, assim como as pessoas nos perdem e também nos podem achar,  mas, Moisés, não sendo do meu grupo,  nunca mais o achei mas,  também nunca mais  o esqueci!

Era um colega humilde, da aldeia, como tantos outros, sempre muito calado, sempre na sua, como agora se diz, mas, irradiava algo que eu não entendia, para além de uma aparente tristeza, com um misto de felicidade esotérica, tinha uma postura que ao invés de apaziguar irritava a maioria!

Nunca o questionei sobre  nada ,  pois não fazia parte do meu grupo mais directo, mas, percebia  pela sua atitude e seu modo tão introspectivo, sempre tão na dele, ser  o alvo ideal para que fosse vitima, ao que se chama hoje de  bullying!

Também nunca percebi,  porque os restantes colegas da turma, fossem rapazes ou raparigas , o hostilizavam tanto, sem que dele obtivessem qualquer reacção  menos boa, dele, sempre saía um ligeiro sorriso, triste, é certo, mas sorria,  dava a volta, virava as costas, o que deixava os outros ainda mais irritados!

Olhava para tudo com uma intensidade anómala, como querendo tocar no céu, mesmo quando estava a ser vítima de palavras jocosas, por parte de alguns colegas de turma…

Nunca entrevi, por achar que a mim não me competia, até porque, o colocaria numa posição menor, por eu ser uma rapariga, pensava eu!

Coisas de outros tempos, machismo invertido,  em estado puro, condicionando atitudes a favor do género oposto, baseado em crenças parvas de outrora!…!

Um dia, estávamos numa sala de ETV (educação visual), por grupos, em que  Moisés estava bem perto do nosso, e, olhava-nos de vez em quando, com um olhar que nunca percebi, mas era sempre um olhar perdido no tempo…

Eis que uma das colegas do grupo Antonieta, se dirigiu a ele, e lhe perguntou porque fazia sempre aquela cara de parvo!

Fiquei atónita, até a minha colega mais chegada, lhe chamava cara de parvo!!!!

Quando finalmente me ia intrometer em sua defesa, aquele seu olhar intenso direccionou-se à Antonieta e lhe perguntou, com uma voz tão gentil quanto dócil, que mais parecia ter  ouvido um elogia ao invés de um insulto gratuito:

  • Porque me tratas assim Antonieta?
  • Eu alguma vez te fiz mal?
  • Esta sempre foi a minha cara, porque dizes que sou parvo, eu não te acho parva!

Silencio absoluto, de todos, uma grande bofetada de luva branca que Antonieta acabava de apanhar, e que serviu de exemplo para os restantes que ouviram!

Moisés, continuou o seu trabalho tranquilamente sem sequer se preocupar com a resposta, a Antonieta quase que enfiava a cara num saco, eu fiquei completamente satisfeita com o desfecho!

Acabei naquele momento, por entender o que de inicio não entendia, ele estava muito à frente no tempo, o seu olhar, olhava muito mais além, do que o que se passava na escola, e o que irradiava, nada mais era do que paz, uma paz apenas está ao alcance de muito poucos, esse semblante quase parado no tempo que era tratado por quase todos, como um olhar de parvo!

Precisamente por este desleixo, falta de amor interior e visão redutora sobre os outros, o mundo chegou ao caús que se encontra, onde os valores estão virados do avesso!

Como precisávamos de tantos olhares de “parvo“, iguais ao do Moisés, como o mundo seria melhor!

Nunca mais soube nada dele, mas ele ficou na minha memória, e,  tenho a certeza que é uma excelente pessoa, ainda hoje!

OS ANOS LOUCOS

NÃO ME CANSAREI …

Não me cansarei de escrever sobre o meu saber !
Nunca me cansarei de fotografar o que a natureza tem para me dar !
Não me cansarei de ser eu mesma, como sou ,
Mesmo sabendo certo que por vezes também erro!
Sou assim deste jeito, e da vida eu fiz, acrescento o que ela não diz!
Nunca me cansarei, mesmo que por vezes me falhe a mão, eu sempre encontrarei outra opção!
A vida, são momentos eternos !
Fazemos dela o que queremos!
Cientes que arcamos com as consequências
Sejam boas, más ou inocentes!
A vida é assim, só exige se exigirmos
Só se vive se a sentirmos!
Por isso, jamais me cansarei
Mesmo que por vezes me falhe a mão, Eu sempre encontrarei outra opção !…

OS ANOS LOUCOS


UM OLHAR …

Existe sempre um olhar

Que não se capta em qualquer lugar

Não é aquele olhar de ver

Nem aquele de observar

Mas simplesmente aquele olhar

Que por onde fixa, fica a viajar

É um olhar interior

Que atira para o exterior

A fragilidade do pensamento

Sempre presente em cada momento

Nada fácil de decifrar

Para quem o vê apenas com um passar

E nem sempre se está ao alcance

Do que se pretende encontrar

Nem que seja num pensamento

Ou mesmo num breve olhar…

AC 09/12/2013

VOU INDO…

Vou indo passo a passo

Mesmo não estando certa do que faço

O momento dita o tempo

O tempo dita a o momento

É uma roda viva com horas marcadas

Outras descontroladas

Que ganham mais delas, muitas vezes paradas!

Quando mais paradas

Faço, digo e escrevo assuntos

Mas principalmente viajo dentro deste meu mundo

Busco o que desejo passo a passo

Mesmo não estando certa do que faço!

As certezas são subjectivas

Por vezes cremos estar certos, mas, mudam as circunstâncias

E as certezas de outrora vão-se logo embora!

Por isso, tenho que validar o presente

Onde tudo acontece ao minuto ao segundo

Dentro deste maravilhoso mundo !

 

OS ANOS LOUCOS