SILÊNCIO II

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Olho o Silêncio

E deparo-me com tempo

Fico calada não quero dizer mais nada

Entretanto as frases estão em fila de espera

Aguardando outro tempo  e outro silêncio…

Olho o Mudez 

Não me venço nem vacilo

Mas

Fico estática arquivando sem fazer mais nada

Este Silêncio e este tempo 

Que me deixa parada sem apetecer dizer nada

Já foi tudo dito, mesmo em surdina

Não valorizou  quem não percebeu 

As frases continuam em fila de espera

Talvez se diluam com água 

E na água  corram por aí fora distribuindo palavras soltas

Que não significam mais nada…

SILÊNCIO

de

ALBERTINA CORREIA

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COISAS POR DIZER…

 

 

 

 

 

 

 

Temos e somos muitos assuntos por dizer e por resolver…

Quando uns se resolvem, logo chegam outros e lhes tomam o lugar…

Ficamos parados, por vezes frustrados, não com os assuntos, mas com tudo que vem e vai, de forma quase ciclónica…

Por vezes, muitas,  queremos arrancar os ponteiros do relógio,  atirá-los para bem longe e deixar o tempo sem horas, para não termos que  falar sobre assuntos que ninguém compreende…

Muitas vezes ficamos encostados, prostrados, por não ter ou saber o que é melhor dizer…

Optamos pelo silêncio, o silêncio ensurdecedor, mas que para quem o vê e o ouve, provavelmente não faz sentido, mas fica a tranquilidade e aparente equilíbrio…

Temos que dar voz à nossa mente, mas o relógio segue e soma, e não encontramos nada nem ninguém à altura de o matar..

Resta-nos o rosto poisado no tempo, as frases em fila de espera, os lábios cerrados, os ouvidos trancados e as mão cruzadas sobre nós mesmos, esperando um tempo que não seja marcado a compasso…

Albertina Correia

EU E OS OUTROS

 

 

 

 

 

PESSOAS PECULIARES…

 

 

 

 

“Por tudo isto que não é pouco, a minha caminhada é sozinha, sem rede, sem artifícios, sem agrados superficiais e outros que tais…” AC

Quem caminha sozinha(o), podem ser pessoas bastante peculiares, diria mais, são pessoas acima da média, sabem o que querem , como querem, onde querem e não carecem de opiniões alheias, para seguir em frente…

Estas pessoas por norma, são mais inteligentes emocionalmente, pois que, têm que arcar com o peso de uma sociedade moribunda, conscientes dela mesmo.

E porque são conscientes da mortandade intelectual, tendem a se isolar, para evitar mais confrontos e juízos de valor, sem valor algum…

Fazem caminhada sozinhas, mas não se sentem solitárias, apenas não se interessam minimamente por estar alinhadas com as verborreias do quotidiano, que cada vez, são mais difíceis de digerir e rebater, porque imbecilidade não tem concorrência saudável…

São propensas a ataques tresloucados,  de outras gentes que habitam dentro de um mundo, repleto de imundice, maioria das vezes, camuflada…

Estes seres, parece que ninguém os merece, parece até que são mais que os outros, mas em verdade, apenas são a diferença entre uns e outros, estes estão  no “intervalo” que vale a pena…

Quando der de frente com um deles, não dificulte, de preferência simplifique, se não conseguir, arrume-se…(AC)

 

EU E O MUNDO

 

 

MALEDICÊNCIAS…

 

 

 

 

Para onde vão parar  as maledicências, quando voltam a regressar certos relacionamentos?

Este assunto sempre me intrigou, não pelas maledicências, mas pela troca rápida de lugar, esquecendo um chorrilho de coisas (mal ou bem) ditas que  parecem ficar arquivadas, qual passe elaborado de  mágica, como se nunca tivessem acontecido…

Poderão dizer, que é uma questão de perdão e a vida segue, até poderá ser, mas com que cara se enfrentam as pessoas?

São pessoas com duas caras,  sendo que nenhuma deles serve ou é verdadeira, caso contrario, o que se disse e diz,  deve ser honrado, não importa o lado…

Mas, as maledicências são tramadas, não conseguem ficar guardadas, parece não haver problema com isso, porque num  ápice, tudo muda de figura, o que era já não é, as circunstâncias mudam e com elas, as mentiras, para assim ficar de bem com a vida, falaciosa.

Coisas de humanos, voláteis, mutantes (no mau sentido), hipócritas, sem respeito por si e pelos outros, falam mal apenas porque sim, por isso mudam facilmente de lado…

Dessas, é preciso muita distância, porque de bestiais podemos passar a bestas…

Por tudo isto que não é pouco, a minha caminhada é sozinha, sem rede, sem artifícios, sem agrados superficiais e outros que tais…

Custa ser assim, mas apenas aos olhos de quem vê, porque quem o é, sabe ser o caminho mais acertado, onde todos temos o nosso e que cada um pensa ser o certo…

Que assim seja então, mundo…(Albertina Correia)

EU E O MUNDO

 

NÓS, OS SERES HUMANOS…

 

 

 

 

 

Somos seres individuais, mas teimamos em nos afirmar em grupos…

Todos sabemos um pouco de tudo e um pouco de nada, mas principalmente, sabemos o que de nós vem e vai…

Mas, porque alguns (muitos) dizem que nascemos para viver em comunidade, estamos sempre dependentes da aceitação de terceiros, em tudo que fazemos e queremos.

Obedecemos a uma ordem geral, ditada por alguém ou alguns, a fim de nos fazerem crer que somos o que eles quiserem.

E assim vamos, obedecendo a normas, regras, imposições, limitações, etc, em prol do correctamente social.

Todos escrevemos, sobre estes assuntos, mais ou mesmo bem, e/ou, de acordo com os nossos conhecimentos, mas no final, lá voltamos a fazer mais igual…

E, este é mais um escrito, para quem me lê, mas principalmente para mim , para que eu não me esqueça que a minha caminhada é sozinha…

Pelo caminho posso dar uma boleia, mas quem comanda o meu Eu, sou mesmo Eu…

Egoísmo, dirão os formatados, libertação, dirão os mais iluminados…Albertina Correia

EU E O MUNDO

ESCRITA…

Este, é um vício que alimenta, é a tal forma de falar estando calada, de derramar pensamentos sem esgotar nada…

 

 

 

Crescem como ervas daninhas e flores misteriosas, rebentam no meio do monte e no meio de qualquer estrada…

Protegem-nos do barulho dos outros, do nosso silêncio que pela caneta escapa, dando vida num qualquer papel , sobre temas e assuntos que de outra forma não seriam recordados…

Por vezes, escrevemos não querendo dizer nada, quando chegamos ao final, afinal, era tudo para escrever e  escrevendo pouco se disse, ou não se disse mesmo nada…

Tudo depende de quem lê e sente, porque pensamentos em forma de letras derramadas, não serão interpretados por pessoas quadradas…

Quem tem este “maldito” vício, pouco se importa se a escrita é sabia, acutilante, vaga, banal, excêntrica, etc, importante, é colocar um pouco de tudo isto, porque tudo isto faz parte da escrita da vida…

Que nunca a caneta se canse, de registar pensamentos que derramam sobre vidas presentes e passadas, neste “maldito” vício de escrever, muitas vezes o que é suposto nem dizer…

EU E O MUNDO

O TEMPO QUE NÃO PÁRA…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A vivência, mede-se pelas horas de um relógio, inventado…

Somos escravos dele mesmo, esperamos cada hora, cada minuto, para podermos fazer o que é suposto fazer…

Estamos controlados por pequenas e grandes máquinas, das quais, o ser humano há muito já perdeu o controlo de grande parte…

Somamos e seguimos em frente, com invenções do passado, invenções do presente e assim vamos…

Não tem como reverter, ou fazer diferente, porque a máquina foi preparada há muitos anos, aperfeiçoada constantemente, envolvendo toda a espécie de gente…

Então, a nossa vivência resume-se a horas, inventadas por qualquer relógio, que nunca pára…

EU E O MUNDO

PARAÍSO…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje estive contigo, no paraíso…

Construi a tua vida, em cima da minha

Pura utopia,  contudo  criei mais  vida…

Os montes e montanhas

As árvores e a relva molhada

As flores, muito de todas

E, de todas não  vi mais nada…

O paraíso, supostamente é um lugar perdido

De pessoas e de quem não o entende

Mas eu estive contigo, no paraíso

Nao me viste, nem eu te toquei

Fiquei com a ilusão, que me puxaste a mão

Mas não…

Imaginamos  esse lugar perdido

Que fica no fim do nosso pensamento

Funde-se com a alma lágrima e sorriso

E isso, se chama o paraíso…

EU E O MUNDO

QUAL MEDO?


 

 

 

 

 

 

 

Vivemos na era do medo…
Medo que o tempo se gaste
Medo de ficar só, mesmo estando acompanhado
Medo, que o medo se transforme, para outro medo que nos consome
Tanto e tanto medo, sinal deste tempo, por isso até temos medo que o medo acabe…
Mesmo assim, não saímos deste impasse para perceber que o medo se pode e deve vencer.
Mesmo assim, temos tempo de sobra, para acabar com o medo e que o medo se vá embora.
Mesmo assim, estamos sós, e mesmo acompanhados estamos tristes e desamparados, mas não tem que ser …
Mesmo assim, existem outros medos, que nos sufocam, mas não tem que ser assim
E mesmo assim, parece que o medo não tem fim…
Sinais destes tempos, onde o medo é arma mortífera para viver aparentemente sem ele, e de tudo se faz para evitar o que o medo faz…
Enquanto isso, anestesiados, nada fazemos e com mais medo, mais inventamos…
Nós somos assim…
“Doidos” o suficiente, para andarmos no meio de gente louca, com medo de coisa tanta, que tanta, é coisa pouca…

EU E O MUNDO