TANTAS E TÃO POUCAS…

 

 

 

 

 

 

 

 

Tantas noites caladas
Tantas caminhadas sossegadas
Outras tantas atribuladas…
Mas neste caminho se fez dia
E o dia se fez mais outra vez…
Deixou a noite sozinha
Não solitária nem abandonada
Mas entregue a si mesma
Rodeado de silêncios, de fantasmas
De risos , de amores e desencontros
Invisíveis como sempre
Na mente de qualquer gente…
As noites são pausas silenciosas
Onde descansamos
Pensamos, reunimos com nós mesmos
E quando completamente sós
Lhe segredámos os nosso segredos, sem medos…

POESIA VADIA

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FAZER SILÊNCIOS…

 

 

 

 

 

 

 

 

Há! Por estas noites pausarei sobre os silêncios
Meditando sobre assuntos mofados e outros mal falados
Destes para já não mais quero saber
Porque cada noite é para sonhar e viver
Resolvendo e inventando outras realidades
Que alimentam e vestem o meu pensamento…

Há! Quisera eu morrer e nascer
Para de novo voltar a escrever…

Porque
A vida se faz de palavras
Umas ditas outras caladas
As que digo são tais e quais
Já as outras são mais anormais
Não têm som, têm silêncio
E fazem barulho do mesmo jeito…

(…)

EU E O MUNDO 🌎

DESENCONTRO III

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Perdida na multidão
Mas se perguntarem por mim
Desapareci nas sombras do vento…
Pois não me apetece dizer o que trago dentro
Aliás não me apetece nada
Porque nada ninguém entende
Não quero falar com gente
Porque gente não compreende …
Mas se perguntarem por mim
Eu andarei por aí
Vivendo a vida que não vivi
E de cabelos ao vento,
De pés descalços na terra
Me viro e mato, mas uma coisa é certa
Andarei para sempre perdida na multidão
Outro tempos regressarão ou não
No intervalo de tudo isso
Imagino o meu mundo fora do lugar
E ele em mim a extravasar …

EU E O MUNDO 🌎

DESENCONTROS II

 

 

 

 

 

 

Quando quiseres saber onde estou

Procura-me na multidão

Talvez eu ande por lá, ou não…

E, nem é bom nem é mau

Sou eu solta como sempre

Escondida no meio de gente

Não pararei

Não olharei

Não falarei

E também, mais nada te direi….

O caminho é em frente, de novo no meio de gente…

EU E O MUNDO

NOITE TRAMADA…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na noite me escondo e ando em redor

Na noite me invento

Na noite me faço melhor

Lá onde tudo de bom acontece

O pior fica para trás

Nem quero saber o que fazer…

O melhor é pela manhã

Depois de sonhar e viver cada pedacinho do anoitecer…

Noite tramada

De mim sabe tudo

E de tudo faço para que não saiba nada…

Mas, não vale a pena

Ainda por cima ela não é pequena

No final

Não faz mal

Fica sempre melhor e não mais igual…

EU E O MUNDO

INQUIETUDE…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estou inquieta
Não sei se estou certa
Certo é que nunca vou saber
Porque ninguém me vai responder…

Inquieta até no ar que respiro
Já não sei se esse ar entra ou  sai
Porque alguém estacionou no meio do caminho
Estrangulando-o devagarinho
Deixando imaginação encarcerada
Dentro de uma mente hoje mais cansada…

Esta inquietude que me mata
Que me silencia
Que me ultrapassa
Por não ter ou não poder, saber como fazer…

Respiro fundo
Arranco de dentro bocados de tempo
Bocados de palavras
Que estão enrolada cansadas
Para assim saírem airosamente
Ignorando esta corrente…

Sou eu
Estou assim
Olhando e pensando hoje mais em mim
Por certo estarei errada
Mas isso agora não interessa nada
Estou inquieta e cansada
De conversas e desconversas
Que não dizem mais, que não seja apenas mais nada…

EU E O MUNDO 🌎

NOITE VADIA…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aqui estou eu escrevendo de novo

O meu mundo e o nosso povo

Focando-me desta feita na noite serena…

Por estes dias e estas noites

Escrevo silêncios, murmúrios de gentes

Caminhantes solitários, fantasmas por nós inventados

Luares e estrelas, e muitas noites serenas

Por estes dias e estas noites vai ser mesmo assim

Jamais se esquecerão de mim

Não do que faço ou penso

Mas do que registo e não é dito

Cada noite é uma alma à solta

Cada anoitecer é um silêncio por dizer…

E não podia ser de outra forma

Porque a magia nocturna

Tem outros segredos e outros medos…

Medo de acordar e perceber que está tudo onde não deve ser…

Medo de enfrentar o tempo e o vento

Medo de enfrentar o sol nascente até ao sol poente…

Medo que o medo se deite comigo

Que me dite segredos

Que não pretendo guardar antes de me deitar…

Então me deitarei com calma e serenidade

Não querendo saber de vaidade

De conversas fiadas

De dias repletos de verborreias

De pessoas e de asneiras…

De contos e ditos

De gentes sem imaginação e de outras com muita presunção…

E mesmo que rompam os trovões

Que caia uma chuva intensa

Que a temperatura desça

Nada me deterá

Porque urge escrever até a mão me doer

E de cansada irei de novo pela noite calada

Encontrar-me com o silêncio

Enquanto as horas se derramam

Sobre os silêncios que não param…

Correia, A. ( Noite Vadia) Lisboa 2017
 

NOITE CRETINA…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(…)

Há! Quisera eu morrer e nascer
Para de novo voltar a escrever…

Porque
A vida se faz de palavras
Umas ditas outras caladas
As que digo são tais e quais
Já as outras são mais anormais
Não têm som, é só silêncio
E fazem um barulho imenso…

E porque a vida se faz dessas palavras
De poesias e prosas inventadas
De escritos escritas
Da noite e dia
De madrugada e alvorada
De chilrear na neblina
Numa qualquer noite cretina…

Aqui estou eu para dizer que se morrer

De novo regressarei para voltar a escrever…

(continua )

EU E O MUNDO 🌎

 

 

CONTINUANDO…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E havia tanto para contar
Sobre a noite e o luar
Sobre o silêncio e o tempo
Sobre os murmúrios e os lamentos
A festa e a saudade
A vestimentas de vaidade
Em noites amenas e escaldantes
Sobre tempos e pessoas menos ou mais interessantes
Mas principalmente
Sobre tudo e sobra nada
E sobre nada mais precisamente…

Mas
A vida é aos bocados
A que escrevi que já passou
Outra que regressou
A do futuro, qual cópia do passado
Por evidências constatadas
Por frases prosas e versos versados
Lugares imaginados
Reais ou inventados…

continua

EU E O MUNDO 🌎