SOLITARIAMENTE ACOMPANHADOS!

Somos cidades fantasmas 

Perdidas nas planícies e montanhas …

E para lá do horizonte descoberto ,

Somos tristes caminhantes do tempo, 

E, aos nossos olhos nunca iremos saber 

O que realmente  esteve mais certo!

Deambulamos pelas nossas vidas 

Fazendo de conta que está  tudo bem 

E, não se pode julgar ninguém !

Mas nós , há muito fomos julgados ,

Arremessados como farrapos usados ,

Sejam novos sejam ou velhos ,

Somos descartados e para algum lugar fragilmente atirados!…

Já não queremos saber o que dizer ou fazer 

Queremos apenas e tão simplesmente Viver!…

OS ANOS LOUCOS 

QUANDO NÃO SE QUER VER!…

Tanto para dizer, que as palavras perdem o sentido, ficando em modo silêncio, por fora e por dentro!

Amontoam-se de tal forma, que acabam por achar um lugar para descansar!

Normalmente, esse lugar é a mente, que arca com toda a informação…

Quando saturada, despeja de forma descontrolada!

Aí, aparecem todos os problemas físicos e psíquicos, mas,

Nada a fazer, quando de facto não se pretende, nem se quer ver!

OS ANOS LOUCOS

COMO ERA VIVER ANTES?

Como era viver antes?

Já me esqueci!

Tenho na memória o aqui e agora, o tal que dizem que apenas interessa, mas, o aqui e agora não gosto, não está bem, como reviver o passado, já que o futuro é uma incógnita?

Já não me lembro de como fazer, para dessa forma reviver!

Cortaram-me a liberdade, mesmo sem eu ter feito nada, já não posso passear ou vaguear pelas ruas de forma tranquila, não nos deixam, e nem eles sabem muito bem o porquê!

Vivemos momentos incertos em tudo!

Já não sabemos o que fazer, o que querer, o que dizer, como trabalhar, como conversar, como amar e sobretudo como respirar!

Taparam-nos a boca, vigiam as nossas idas à rua, qual recluso em saídas precárias, e não se vislumbra a saída, a luz, a paz de poder ser, sem medo de ser!

Poderia ter vivido mil anos, mas desta forma, tão requintadamente aniquiladora, de facto não estava nos meus planos, pior que tudo, não tenho a quem me queixar, nem para onde me refugiar!

Peço que regresses, que te apresses, que não te percas no caminho, porque ele se faz curto, tal a turbulência que o envolve, e que nada resolve!

Estou no aqui a agora, e, o aqui agora é o que temos, uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma!…

OS ANOS LOUCOS

OS DIAS QUE PASSAM!…

Estes dias que passam

Cheios de sol, chuva, vento e também pouco alento …

Queremos tomar suas rédeas !

Mas eles fogem como cavalos selvagens …
Deixando-as por terra, soltas ao sabor do tempo…

Assim vamos indo pouco a pouco !

Fingindo que está tudo bem, imaginando que assim será ….

Disfarçando aqui e acolá …

Enquanto este tempo, faz de conta que é normal

E de normal, só tem as horas contadas

Em relógios que não as param !

OS ANOS LOUCOS

Hoje….


Hoje, não diferente de outros dias, acordei pensativa!

Não chorava nem ria!
É um estado, porventura apático …

Por não saber, não querer, não dizer….

O que de facto para mim, está errado…

Por isso, acordo em modo cansado!
O pouco, já pouco me diz!…

O que sobra, é a grande metade que não interessa

Que já nem quero escrever nem falar…

Pior que tudo, não posso mudar de lugar!
Ainda assim, vou mudando o pensamento que trago dentro…

Mesmo que esteja cansada …

Que já nem queira escrever nada….
Faço mais esforço …

Arrumo dentro, correntes de palavras…

Umas inteiras, outras cruzadas…

Talvez um dia destes, façam mais sentido …

Até lá, sufoco e por vezes até sorrio…

Atiro-me para o abismo que mora em mim!

Por lá me quero perder ….

Adormecer se tiver que ser…

Até que tudo passe para um outro estado !

Que não me deixe solta e desnorteada…

Por Já não saber encontrar a saída, nem a certa nem a errada!

Hoje estou assim !

Nem sequer tenho pena de mim!
São dias cheios de turbulência …

Calmamente saturados
Por tantos silêncios guardados !

OS ANOS LOUCOS

TEMPOS DE GUERRA!

Pensamentos que pensam!

Já não quero escrever!

Também não me apetece ler!

Culpa deste tempo que não se esgota…

Cresce cada dia que passa

E passando, assim nos derrota!

Temos que fazer boa cara ao mau tempo!

Mas, mesmo a boa cara se farta

Quando a vida fica tão, barata!

Já basta, estou farta, quero me encontrar em outro lugar

Mas esse lugar, está como outro qualquer…

Esperando que este tempo de guerra passe

E que na passagem, não nos tire a esperança

Porque se essa morrer, nada mais há a fazer!…

OS ANOS LOUCOS