Por vezes tudo acontece num ápice

Perdemos o controlo que nunca tivemos

Entregamo-nos sem preconceitos

Em pessoas que desconhecemos

Seguimos porque tem que ser

Sem ver

Sem questionar os porquês

Por vezes, é tudo num ápice

O tempo que resta é para olhar o nada

Olhar, o que já não preenche

O que não se entende

O que não se teve tempo para entender

Seguir em frente porque o caminho é isso mesmo

Seguir, ir olhando de vez em quando para trás

Imaginando apenas, o que a vida nos trouxe e traz

A caminhada é solitária, pesada, por vezes com laivos de leveza

Essa que apenas mora na mente para sossegar o presente

Não houve aquele abraço

Aquele toque

Aquele silêncio

Foi tudo sozinho e intenso…

Tão individual e tão igual…

E a vida segue, ninguém sabe, mas ela segue,

Num ápice pode acabar!

Resta o que tem de ser, já que ninguém entende

E ninguém tem tempo para entender!

Chama-se a vida a acontecer

Até à última pétala, até à última estação

Esperemos que esta,  ainda não!

Albertina Correia

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