HORAS DERRAMADAS

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São horas que escorrem

Delapidadas usadas e cansadas

Deixam-se lentamente ou apressadamente

Morrer um dia mais à frente…

E com o tempo que inventam

As horas se multiplicam

Quando cansadas subtraem as mais usadas

Essas que sem querer caiem na terra

Sem saberem ficam semeadas

Fabricando mais horas, muitas delas paradas…

E nós que tudo temos

Com elas, nada podemos

Ficamos inertes, cansados ou apressados

Em busca de outro tempo

Que não seja marcado a compasso

Não nos tire a liberdade

De viver com esse tempo roubando o da eternidade

Por isso Dali tinha razão

Pintou com pincéis e tinta

O que poetas escrevem com a mão

Relógios que se derramam

Sobre as  horas que nunca param…

Albertina Correia

Sobre tudo  e sobre nada

QUANDO NÓS SOMOS OS OUTROS

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Os outros passam a vida a viver  a nossa vida.

Não pedem permissão e entram sem qualquer razão

Opinam, acham errado e certo, sem saber o quê em  concreto

Indicam-nos  as portas de entrada as de saída

Como devemos estar e nos comportar

Fazem de tudo,  pensam eles que para nos  agradar

Os outros são tramados, nunca ficam silenciados

Estão sempre à escuta, para acrescentar, pensam eles o que ficou por falar

Tudo isto sem nada lhes perguntar

Mas quando os outros virados do avesso somos nós

Nada a questionar, afinal está tudo fora do lugar

Nem nós nem outros

Afinal somos todos os mesmos idiotas

Opinamos sobre conversas tortas

Agora mais em sintonia,

Afinal os outros e nós fazemos parte da mesma desarmonia

Então vamos lá raciocinar

Se as opiniões são ou não são para dar

Sem nunca esquecer que quando são os outros

Afinal somos nós e não somos poucos

Albertina CCorreia

COMO ULTRAPASSAR ALGO QUE NÃO SE ULTRAPASSA?

poeta

Apenas aceitar como fazendo parte de um crescimento individual
Que não parecendo, é com toda a certeza normal

Seja separação, doença ou morte, temos que reaprender de novo o viver

A gatinhar, dizer as primeiras palavras, ter atitude e caminhar no presente sempre em frente.

Neste intervalo chamado “o agora” a luz apaga-se por momentos,
E é no silêncio e na escuridão que muitas vezes encontramos a razão

Não andamos aqui para que seja tudo belo
Mas sim para crescer, e interiorizar que, cada vida a cada um pertence

No presente, e no futuro deste presente aparentemente ausente

É no intervalo deste tempo que tomamos ou não consciência
De que avida de cada um não nos pode criar dependência…

Portanto, chore muito até secar
Vá para a montanha gritar
Atire pedras ao mar
Mergulhe bem fundo afogue-se por um segundo

Para finalmente vir à tona
E perceber que cada um tem a vida que quer ter

Não somos donos de nós nem de nada
Sofremos, amamos, e matamos
Sem sentido do que em verdade gostamos

E para finalizar
Escrevendo sempre o que sinto como forma de me expressar
Sinto-me parva, e até insolente
Para quem nada quer e nada sente
Aparentemente…