QUE TITULO SE PODE DAR A UM TEXTO DESTES? ACHO QUE NENHUM…

Depois de 5 dias no brasil (SP), numa correria danada, é preciso parar e foi precisamente nesse momento de paragem que resolvi ir encontrar-me comigo…

Fui então mimar-me, ou seja , fazer unha de pe e mão…

Eu estava sentada para que me pudessem fazer as duas coisas ao mesmo tempo (pois que mais uma reunião vinha a caminho), e foi aí que reparei na senhora que me arranjava os pés…

Numa primeira vista aquele ar tão calmo, tão sereno, tão cheio de paz, afinal abrigava uma dor do tamanho mundo…

Vi-a colocar o spray na boca, e, não resisti a perguntar para que era, ao que Severina (seu nome) respondeu que fazia parte da sua  terapia, fiquei por momentos calada, pois que temos que respeitar os espaços…

Ela com uma leveza no olhar, e uma calma na voz disse-me:

– É que meu filho foi viver para outro lugar, já não está mais entre nós, e expontaneamente começou a contar sua breve historia..

– Meu filho era smplemente um menino (25 anos) lindo por dentro e por fora, e deus não quis que ele ficasse mais aqui na terra, e eu tenho que respeitar, para aliviar minha dor, que é muita…

-Meu filho tinha montes de amigos, era muito bom para os outros dava inclusive a propria camisola, mas tenho que aceitar que sua missão acabou aqui…

– No dia em que foi para o outro lugar,  cheguei no hospital, estava entubado, e com convulsões, aliás esteve assim toda a noite, aí, mesmo sem ele estar acordado (estava em coma), peguei na mão dele, e comecei a lhe dizer:

-Meu filho, agora está na hora de você partir, não precisa ficar assim, se esta pensando que sua mae vai ficar mal ou triste, não pense, eu sei que você vai para um lugar melhor e quero que saiba que sua mãe aqui na terra vai ficar bem, não precisa se preocupar, segue seu caminho, vai, eu quero que você vá e que seja feliz porque eu sei que vai ficar feliz para onde vai.

Aí ele respirou fundo se acalmou, ficou mais sereno, apertou minha mão, rolaram lágrimas de seus olhos e adormerceu para sempre…

– Saí correndo da sala e encontrei sua medica, perguntei quanto tempo ainda tinha Renato Valério de vida, e ela respondeu que, não tinha mais que uma semana, aí eu respondi:

-Não doutrora, meu filho já não está mais aqui, só o seu corpo, ao que a medica disse que le já estava morto desde o dia anterior, apenas funcionava o cerebro…

-Saí a correr e gritei para Deus , para o mundo, me questionei porque isto com o meu menino que era tão bom, fui injusta com deus ao fazer estas perguntas..

-Eu tinha pedido a Deus que se fosse para ficar com meu menino sem pés nem mãos (devido a opração para tirar gangerena), eu não queria, e disse:

– DEUS, VOCÊ ME DEU À 25 ANOS UM FILHO PERFEITO, então eu to devolvo perfeito também…e assim foi…

-Passaram dois meses mas a dor é enorme, sei que tenho que ultrapassar porque sei um dia vou estar com ele, mas falta qualquer coisa que eu não sei, para eu ficar em paz, e uma lagrima rolou em silencio…

Bom tudo isto enquanto me fazia as unhas dos pés, com uma calma avassaladora, até que, rompi o silencio e lhe perguntei o que ela achava que faltava para ficar em paz?

Não respondeu, e eu /perguntei-lhe/disse-lhe:

Sabe o que falta?

Ela levantou os olhos para mim como se eu fosse desvendar um grande misterio, e eu apenas disse:

-Falta você se perdoar a si mesma, e não carregar esse peso como se fosse culpada de alguma coisa, falta você aceitar-se e aceitar tal como é e nada mais…

Ficamos caladas por breves segundos, eis que ela levanta os olhos doceis para mim e diz-me,:

É isso mesmo que acabou de dizer, tenho me penalizado a mim mesma, e é tempo de parar…eu apenas sorri para ela, um olhar intenso nas duas direcções…

-Quando mais tarde cheguei da reunião, fui ter com ela ao SPA do hotel para acabar o que tinha ficado a meio, ela me ollhou, levantou-se de um apice, e me disse:

Fiqui pensando este tempo todo em você, esqueci de lhe mostrar a foto de Renato, mas não sabia se devia, agora que está de novo aqui posso lhe mostrar?

Eu: claro que sim pode mostrar.Era de facto lindo o jovem, com um olhar que parecia que falava, incrivel, mais uma vez nada dissemsos uma á outra apenas um sorriso mutuo…

Ela me disse, eu mal sei escrever, mas sei que você vai escrever algo de bom…

Existe sempre mais vida para alem da vida

E fico por aqui… (havia muito mais)

Albertina Correia

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