BRISA

brisa

Onde a brisa me abraça

Do tempo que não passa

Que a Lua me cubra o corpo

Me conforte a alma

Me desfaça em pedaços

Na loucura de seus abraços

E que o Sol sempre brilhe

Na sensatez do tempo

De braços abertos ao vento

Que entra por mim adentro

Me envolve e me dissolve

Me dá prazer

Enquanto não chega o anoitecer

Viajar no som das palavras

Pernoitar dia a dia em cada uma

É como viver em paralelo

Só que n’um mundo mais belo …

(estados de alma)

Albertina Correia

PREDADORES

As almas esventram os mundos

As opiniões são como pinhões

Quase todas iguais

Para parecerem normais

Rasga-se  a  lei e fundamentalismo

Em busca de algo mais

Que mais não é que ilusionismo

Perdem-se na história da vida

E vivem de alma vazia

Assim são os predadores

Que vos roem até os miolos

Sugam-vos até aos ossos

Infiltram-se fundem-se

E param quando esventrados

Vos deixando ficar  de vez calados…

(coisas da vida)

Albertina

FRASES

FRASES DA VIDA

Palavras escritas

Frases bem ditas

Sobre estados de alma,

É próprio de quem sonha

Com passagens de vida

Bocados de ira

Contradições de actos e de razões

Em um mundo de letras

Somadas dia a dia

No aconchego da vida,

No reboliço do tempo

E até na melancolia …

Assim são a frases da vida

E muitas vezes

Com tristeza

E outras com alegria

Albertina Correia

ESSÊNCIA

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Deixei verter
A essência que há em mim
Escorregou pelos bancos de jardim
Foi ter aos afluentes, rios e afim
E Finalmente foi desaguar ao mar
Plantar-se em todo o lugar
Serviu de baloiço às sereias
De carruagem ao vento
E de traição ao tempo
Esqueceu-se do mundo
Das horas do dia e da noite
Deixou-se balançar
Com o suave empurrar
Das sereias a par e par
Não quis saber de caminhos
Porque o vento a levou no tempo
Sem pressa e sem demora
Lentamente dali para fora
A essência vertida
Fez a passadeira da vida
Da minha vida
Da minha paz
Da minha quietude
E da minha solitude
Puxou as rédeas
Montou no tempo
Esperou pelo vento
E rumou ao firmamento…

04/01/2015
Albertina Correia

LUA

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Saí ao encontro do anoitecer

Sentindo o aroma do ar

Abraçando o opaco

Me focando no Espaço

E de fora tentei olhar dentro

Mas dentro não encontrei

Estou longe

O caminho ainda não sei

Fiquei com a vontade

De subir nas estrelas

Atravessar o universo

E abraçar a lua

Com a intensidade do meu afecto

Vou ficando cá por baixo

Admirando o luar

O aroma ao meu passar

Registando cada segundo

Do universo e do meu  mundo…

Albertina Correia

LETRAS SOLTAS

letras

Vou colocar todas as letrinhas

Amará-las dentro de um saquinho

E segurar  com todo o carinho…

Vou pegar em todas elas

Cada qual em sua vez

Juntar uma a uma, atirar para o espaço

Esperar que ele faça, tudo o que tem que fazer…

São muitas letrinhas soltas

Em volta de uma vida

Com elas posso escolher

A melhor forma de me  escrever

Vou fazer um manual

E segui-lo de modo igual….

Mas como são tantas letrinhas

Posso perfeitamente alterar

Se do manual eu não gostar…

A mim me cabe decidir

Qual  manual que devo seguir…

Até lá vou coleccionando

Tantas quantas me apetecer

Um dia decidirei o que com elas fazer…

Albertina Correia

O MEU OLHAR

meu olhar

Os meus olhos amam ver

A lua e o anoitecer

Acompanham a penumbra

Cerrados e em descampados…

Passeiam pelas calçadas

Verdes ou amareladas

Com vontade de verem mais

E mais pode nem ser nada

Do tudo que imaginamos ver

Na penumbra ou no anoitecer…

Mas meus olhos amam olhar

O mundo fora do lugar

Primavera no verão

E outono na ultima estação

Afinal tudo é ilusão

Do que podemos ver ou não…

(estados de alma)

Albertina Correia

HERANÇA

herança

O que podemos deixar

Como herança neste lugar?

Um mundo de sonhos

Escrito em versos

Em sonetos, em prosa

Em alegrettos…

Um mundo idealizado

Por poetas, músicos e pintores

Pintando o mundo de múltiplas cores…

Esta é a maior riqueza

Que pode aqui ficar

O mundo no mesmo lugar

Da forma que o imaginamos

Escrevendo o  futuro e o  passado

Guardado em cada um

Que não se importe em atirar para o ar

O mundo que quer deixar…

São sonhos bordados

Em paginas brancas

Colorindo e cantando

Por vezes chorando

O que imagina na alma

Que sente com o coração

E e digita com a “razão”…

O mundo dos poetas é mesmo assim

Um mistério sem fim,

Ânsia de transmitir

Que o mundo também se faz a sorrir…

Aqui fica a minha herança

Sonhada desde criança

Desde sempre com esperança….

(estados de alma)

Albertina Correia