FIM

Quero despir a carne
Que me cobre a essência
Que não deixa passar
A luz de um breve olhar…

Quero não ter que vestir
Palavras ocas
Olhares fugazes
Para que possam entender
Palavras que não quero dizer…

Está tudo intrínseco
Forrado a carne e sangue
Enganando o super ego
Sobrevivendo a este degredo…

Esta tudo gasto
Dias que não terminam
Madrugadas que não chegam
Mente e corpo em desvario
Ansiosas por terminar
Tudo que acabou de chegar…

Quero despir a carne
E não mais me preocupar…

(Folhas Soltas)

Albertina Correia

MAGIA…

caracoisTanto anos fechada num espaço tão minúsculo…
Dobrada sobre si mesma, esperando a liberdade…
Foram anos na escuridão, mesmo assim a camisola rosa não perdeu a cor…

Os curtos caracóis do cabelo, graciosamente desarranjados
Olhos de quem quer quer entrar no mundo das cores
Ansiedade para sair em liberdade
Descalça como sempre e, como sempre com os calções pretos
Levemente se levanta, levada em mãos de seda para o paraíso…

E nada ficou ao acaso…
As Lágrimas ficaram nos poucos metros quadrados

Agora de caracóis ao vento
De pés na agua cristalina
De mãos atarefadas, com tantas cores para tactear
E Sobretudo e, liberdade após grande cativeiro…

Foi uma longa viagem
Mas a mão que a puxou, era branca e macia
A blusa ou vestido era sedoso
Com múltiplos folhos rendilhados

Soltou-a para o arco íris
Não mais voltará à escuridão

Menina traquina
De caracóis graciosos
De risos e sorrisos contagiantes
E de pezinhos saltitantes

Já passou
O universo é teu
Vai para ele sem mais demora
Estraga a tua camisola rosa
Esquece o que aconteceu
Porque a tua vida ainda não viveu…

Sê feliz e sorri
O teu universo agradece e retribui…

(pequenos retalhos de vida)

Albertina Correia
06/08/2014

FADAS….?

fada

Pois, começo com esta pequena descrição de fada, criaturas que aparecem e desaparecem, conforme suas vontades, ou vontades de quem diz que as vê…

Mas será que elas existem?
Nem seu sei, pelo menos nunca vi nenhuma, no entanto existem historias de encantar para todos os gostos, escritas por alguém…

Mas convém reflectir numa coisa; porque será que alguém se lembrou de inventar estas criaturas, e mais, dar-lhes formas belas?
Alguém com imaginação fértil, dirão muitas pessoas, eu digo que, alguém as viu em algum lugar, nem que fosse em sonhos…

Mas dizem os entendidos, que nós só conseguimos sonhar, o que a nossa mente conhece, então porque se sonha (neste exemplo) com Fadas se à partida não existem e/ou não se conhecem, Ou será que existem???

Tenho que acreditar em cientistas que dizem que só podemos sonhar com coisas que conhecemos, mas não posso deixar de acreditar nestes contadores de historias, que escrevem sobre algo que parecem ter conhecimento…

Gostos dos contadores de historias, e acredito nos cientistas também…

Em que ficamos?

ESPERANDO POR MIM…

duas flores

ESPERANDO POR MIM

Esperando nesse imenso jardim
Rodeada de flores, todas elas com múltiplas cores
Algumas especiais, de tão únicas que são
Fico sentada
Esperando pelo nada
Não, não me esqueci de as regar…
Não, não me esqui de as olhar…
E, Não, não me esqueci de as tratar…
Quando muito, fiquei tempo demais
Pensando que não morriam
Pensando que sempre me alegrariam
Pois, esqueci-me que são flores
As minhas flores
Que plantei no meu jardim
Com um banco como cenário de fundo
Onde agora me refugio, esperando por mim
Esperando por mais uma primavera
Ate que umas voltem a rebentar
E a outras não se esqueçam de me alegrar…
Esperarei o tempo que for necessário
Sentada no banco relembrando o passado
Saboreando os aromas, e as cores
Cansada de mim
Espero naquele banco sem fim
Dias que teimam em não voltar
Desespero que começa a preocupar…
Vou tentar não pensar
Folhear este livro que é vida
Aguardar ate ao dia, e que nesse dia não seja
Um grupo de todos vocês
Que fartas de esperar por mim
Resolvam cobrir aquele banco de jardim
Esquecendo que estava ocupado
Comigo esperando por mim
Relembrando momentos sem fim…

(Folhas Soltas)
Albertina Correia
04/08/2014

DESASSOSSEGO

saudade

Recordo  sorrisos abertos e aflitos
Mergulhado na penumbra dos dias e noites
Pleno de aromas, de paz e de sossego
Desassossegados,  intensos e serenos…

Abraços eram por dentro
Que apertavam no peito
Invisível a intensidade que brotava
No abraço que não terminava…

Mãos que sempre se entregavam no silencio
De um som vindo de longe
Dedilhando  melodiosa musica
Na solitude da  vida
Onde a  alma ficou perdida…

E foi assim,
Quando pensamos que é o inicio
Apenas chegou o principio do fim…
Hoje dói pegar na esferográfica
Que sempre registou os momentos
Dos dias que não terminam
O sentimento que não acaba
Da mão que já está cansada…

Havia tanto para dizer
Do tanto que foi bem feito
Não havia fim à vista
Do que era a nossa vivência bem vivida…
Hoje falo sózinha
Escrevo para registar cada segundo
Danço para  amar
Escrevo como forma de  abraçar…
Tantas vezes a tinta se esbate
Mesclando-se com agua salgada
Turva-se a visão
Treme a mão
Baixo a cabeça
Não apetece mais nada
Que não seja ficar calada…

Adeus foi o que não pude dizer
Abraço foi o que não pude renovar
Fiquei apenas sentada a olhar
Gritando ao mundo
A forma como ele me abateu em um segundo…

Fico agora sempre mais só
Com lágrimas geladas
Folhas cheias de vida
De amor, paz e alegria fingida…

Acabaram os sorrisos, abertos e aflitos
Está cravado a ferro e fogo
Dentro das minhas entranhas
Quero agora descansar
Quero não pensar
E porque já não  posso ter
Quero apenas adormecer
E em cada sonho  rever

A vida que ficou por viver….

Albertina Correia

ILUSÃO

ilusão

Sim, é ilusão
Tudo que que pensamos ter razão

Ilusão de ver e não ter
De falar e não transmitir
De ouvir e não sentir

Sim, é ilusão
Quando penso que com a minha razão
Mudo ideias e ideais de pessoas ditas normais

Sim , sou uma ilusão
Agora mais que nunca perdida nesta pretensão

Não, não vou mais dar murros em pontas de facas
Não me vou iludir que este mundo é a fingir
Onde a ilusão impera sobre a razão
Dos que  pensam que têm noção

Sim, sou uma ilusão
De tudo que não fui capaz
Por tempo demais que corri atrás
Iludida que conseguia

Chega, ilusão mais não
Tu, com ou sem razão será a tua opção

Não, não vou mais dizer que  sim
Ilusões tem prazo de validade
O meu expirou para la do prescrito
Chega,  está tudo dito

Ilusão, mais NÃO…

CHUVA

chuva

Nem sempre o Sol me aquece
Me irradia ou me dá alegria…

Anseio pela chuva
Que me lava e me acalma
E se dissolve ate na alma

Saboreio cada gota
Que passeia pelo meu rosto
Salga os meus pensamentos
Purifica os meus momentos

Saio estrada fora
Saboreando a corrente
De tantas e tantas gotas
Que guardei dentro de mim
Que com ela faço lagos
E rego imensos jardins…

 

Albertina Correia

PRINCESA

imagesPara ti, Princesa do meu ventre
Que foges do medo de ti
Da verdade de mim
De encontro aos teus sonhos
Vivendo sem amanhã
Apavorada com o passado
Em busca da liberdade…

Para ti, Princesa do meu ventre
Para sempre o lugar está guardado
O espaço é único
Sem substituição
Pois que nele habita
A princesa do meu coração..

Serei sempre o lugar
Onde tu, a minha princesa
Podes sempre descansar
Da busca incessante dos teus sonhos
Que jamais podes abandonar…

Quando se aspira altos sonhos
O voo é sempre superior
E Se falhar, a dor é sempre maior…
De ti depende só o teu reino
Voa o mais alto que souberes
Mas não caias no vazio
De pensar que foi tempo perdido…

AC/ P/ AC

PSIU

images (3)

“Neste chão das palavras,
escrevo o teu nome
em silêncio.
E há um brilho permanente
nesta ânsia de ti.
Neste tempo dilatado
de saudades íntimas,
sabe-me a sol vermelho
a tua persistente imagem
vestida de musa.
Mas apenas te encontro
no relicário suspenso
das emoções castigadas.
E perco-me no desvario
de te encontrar
no sôfrego abraço das perdas…”
Neste chão das palavras
Onde são escritos nomes
Impressos em silencio e dor…
Que faz o tempo se dilatar
Na ânsia de me encontrar…
E, Para lá do sol vermelho
Onde passeiam as musas
Serei apenas uma do relicário
Não de emoções castigadas
Mas de sentimentos desencontrados
Vestidos com marcas de tempo
Onde em desvario para encontrar
Esquecemos  como lá chegar…
Temos que deixar partir
Em abraços despegados
Unidos pelo silencio
Que deveria ser de paz
E nunca de desalento…

AV/AC

22/07/2014

ESSE PÁSSARO SOU EU…

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Quero continuar pássaro
Livre como o vento
Vento que leva a chuva que lava
Pássaro que voa e cansado poisa

Mas quero continuar pássaro
Voar ate desaparecer
Numa alvorada
Ou em qualquer amanhecer

Ser frágil, e poder pernoitar
Naquela arvore bem longe
De tudo que me faz esmorecer
Desde a noite ate ao entardecer

Ser pássaro é ser rei dos céus
É ir e vir, e não ter quer fugir
Nem ter que desistir

Ir com o inverno
Regressar com a primavera
Olhar em volta
Ser livre para ficar ou partir
Para cantar ou para chorar
Em pranto ou em silencio
No sussurro do vento
No brilho do sol
Na suavidade do luar
E ai poder descansar até um novo acordar

Voar madrugada dentro
Guardar e dar o que tenho dentro
Sem perder nunca as asas do meu tempo
De ser um pássaro
E voar ate me cansar…

Do alto da montanha
Onde chuva chega primeiro
Onde a brisa me abraça
Onde o tempo não tem tempo
Do meu tempo de todos vós
Cada um tem seu cantinho
Neste meu mundo que é o meu ninho

Ó chuva lava-me e leva-me
Para bem longe daqui
Esbate na doce cachoeira
Cada pedacinho de mim
Que guarda cada um de vocês
Num amanhecer sem fim

Sou esse animal livre
Que precisa de voar
Não quer desaparecer
E não quer aqui ficar
Mas Este pássaro rebelde e carente
Precisa mesmo de descansar…

Albertina Correia 24/07/2014