INUSITADO

imaginario

Vida que clama por frestas de janelas

Que olham  e resguardam nosso mundo

Do pára peito endurecido

Por dias  de displicência

Revoltosos por  não poder fazer

Outras vidas acontecer

Ali fica o peso da imortalidade

Que finge e esfinge

Estáctico movimentado

Pensando o mundo no avesso

De multi-sentidos cruzados

Em para peitos esvaziados

Agora que a hora é

Do pára peito ao declínio

Fica hirta e segura

O avesso do destino

São estes avessos trajados

De vidas escorregadias

Penduradas em ondas soltas

Que na  imortalidade

Contemplam nossa vaidade

Assim é vida

Que clama por frestas de janelas

Por dias  de displicência

Revoltosos por  não poder fazer

De uma  outra forma acontecer…
(Folhas soltas)

Albertina Correia

30/08/2014

GAIATA I

Gaiata reguila Saltitante

Atitude positiva e um belo semblante

Pensava ser dona da decisão

Se o dia virava noite

Se noite virava dia

Apenas com a sua magia

Não raras vezes dizia

Que a noite sé era noite

Porque ela não ordenava o dia

De tão segura que estava

De que era mesmo assim

Assim foi vivendo seus dias

Esperando poder aplicar

A sua vontade e o querer

Que só ela podia fazer anoitecer….

Por fim chegou o momento

Em que lhe foi permitido

Ficar de olhos abertos até ver romper o dia

Pois que todos provaria que dela isso dependia…

Passaram as vinte e quatro horas

E por fim as seis da madrugada

O sol rompeu o céu, e nada aconteceu

Pois que ficou maravilhada

Com o cenário que contemplava

Que a fez esquecer de ordenar

Que a noite não era para ficar…

Dias e anos passaram

Até tomar consciência

Que as leis da natureza

Não dependiam do seu desejo

Mas de uma harmonia perfeita

Onde nem um sonho de criança

Teria a interversão

Para que o dia virasse noite

E a noite virasse dia

Com a simplicidade de sua magia…

(folhas soltas)

Albertina Correia

29/08/2014

 

no

Existe um EU em mim

Que se sobrepõe ao Eu em nós

É  um EU repleto de tudo

E quem nem todos nós aceitamos

É um Eu reforçado de ideias e ideais

Que vagamente é compreendida

Pelos ditos comuns mortais

É um Eu mormente confundido com Ego

Mas de Ego, só tem a sobreposição

Dos que dela fazem a intenção

Mas, é esse Eu que faz de mim

Quiçá a loucura de todos nós

Essa loucura desassossegada

Que ofusca a alma calada

De quem entra na nossa esfera

Esperançados que o meu Eu

Se simplifica em todos nós…

No entanto, nós, 

Vivemos “intensamente” 

Esta vida resguardada, disfarçada

E a maior parte das vezes até trancada

Tudo para não mostrar o Eu 

De tudo aquilo que julgo ser

E a maioria  das vezes até sou…

(folhas soltas)

Albertina Correia

29/08/2014

 

 

 

 

 

SUBVERSÃO

caminhos

 Um caminho

Um destino

Um horizonte

Pegadas gastas pelo tempo

Por um destino traçado

Sobre um horizonte manchado

De tudo que não faz sentido

Num caminho subvertido

Ao encontro de um imaginário

Para alem deste mal fadado

E que esta mais que ultrapassado

Seja no tempo ou no espaço

Mas que não morre , nem pelo cansaço…

 

(folhas soltas)

Albertina Correia

26/08/2014

 

 

 

 

 

 

 

OCULTO

 

oculto

Hoje entrou “alguém”
Pela minha mente dentro
Não tinha rosto nem corpo
Baralhou-me o pensamento…
Mesmo achando estar “certa”
De tudo que cá tenho dentro…

Não pude argumentar…
Não pude questionar…
Apenas pude reflectir
Em tudo o que estava a sentir…

Deixou tudo em estado de sítio
Para eu recolocar
Terei que me transcender
Catalogar e,
Arquivar o que tem que ficar…

Usar a imaginação
Recriar argumentação
E nada questionar
Porque
“Alguém” entrou mente dentro
Sem rosto nem corpo
E não pretendia mais nada
Que não fosse, a minha vida
Muito mais simplificada…

“Alguém” entrou e tinha razão
A vida não é mais que um sopro de vento
Sem tempo
Sem memoria
Que não seja o presente
Do mais importante que se sente…

(Folhas soltas)
Albertina correia

26/08/2014

AMANHECER?

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Amanhecer é:

Acordar para mais um dia

De uma noite em que tudo acontecia…

Vontade dos avessos

De não ser e de não ter

Mais que não seja a existência

Daquilo que é a sua permanência

Tem dias e tempos intermináveis

Onde cada segundo tem a longevidade de horas 

Onde a vivência é mais intensa

Seja na felicidade e muitas vezes na irrealidade

Não, nada é irreal

A mente só pode sonhar

O que consegue visualizar

Mas nada é tão louco e existente

como a vontade de estar presente

Assim pode acontecer

Em cada amanhecer, na extensão do anoitecer

Pois não  existe divisão do que achamos ter razão

Por isso mesmo, nem noite nem dia

Mas sim, cada momento vivido intensamente

De tudo que esta arquivado

No presente , no futuro e no passado…

(folhas soltas)

Albertina Correia

25/08/2014

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ILUSÃO

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Não, não vás

Já não existe caminho para caminhar

Todo ele ficou para trás

Terás que o reinventar  …

Não, não estejas aqui

Não tem espaço para respirar

Está estrangulado

E acorrentado ao passado…

Vai, vai de uma só vez

Não trilhes caminhos cruzados

Vai apenas pela tua rua

Ignora que ela é só tua…

Não, não pises o risco

Ele separa a verdade da irrealidade

Não confundas o ser com o ter

O passado com o presente

O ir com o voltar

E o adormecer com o despertar…

Definitivamente não venhas

Não existem sequer as pegadas

Impressas no tal caminho

Tu já não as podes ver

Porque já não estas desperto 

Terás  que as reinventar 

Seja em outro caminho

E num futuro despertar…

 

Albertina Correia

(folhas soltas)

23/08/2014

 

 

 

 

CADA UM

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Cada um, caminha pela estrada de um jeito que só ele sabe…

Cada um, age e reage da forma que consegue e julga saber, por não saber muito mais…

Cada um, faz parte de um todo, que anda convencido da própria razão , sem se abstrair, não conseguindo assim alcançar a  razão do outro…

Comumente, vão dando murros em pontas de facas, como se de uma parede maleável se tratasse… 

Cada um , deveria socar-se a si mesmo, por achar que pode mudar o outro, pois que, ninguém muda por intervenção   alheia, a menos que seja interesseira, o que faz dessa mudança apenas passageira…

E, quando casualmente muda, engana-se,  enganando também o próximo, quando objectivo esta atingido, socorro porque as pessoas são falsas….

As pessoas são todas falsas, ao seu jeito, umas lesam, outras nem tanto, depois fica o vazio, por acharem que todos estavam correctos…

Pois é, a vida  ou vivência é assim mesmo, não passamos de animais (mal)domesticados, para camuflar a  podridão,   coberto de ego …

Ego esse que todos temos, uns mais que outros, dependendo do estado evolutivo, mas, nunca a zero, a sociedade é tramada…. Ela faz seu ego se superpor, mesmo quando o julgava (quase) extinto….

Mas cada pessoa caminha do um jeito que é só seu, pena que não caminhe apenas pela sua rua, e queira atravessar-se nas ruas dos outros…

Mas cada um é um ser único, unicamente à deriva…

Albertina Correia

20/08/2014

(Retalhos)

SER MÃE

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Ser Mãe, é ter a tarefa mais difícil da vida…
Fazemos o que achamos melhor para e pelas suas vidas, e para que se machuquem o menos possível…
Ser Mãe , é fazer o melhor que se sabe, pois que não se tem um manual de instruções, é estar atento a agir em conformidade, para que os seus percursos sejam o menos atribulado…
Ser mãe é querer ficar doente em vez do filho, é querer abrir o mundo ao meio para passar as pessoas mais importantes (filhos), é fazer tanta coisa, que no meio de tanto, sai tanta verborreia desnecessária…Ser Mãe é anular-se vezes sem fim, mas com satisfação…
É chamar a atenção, tantas quantas as vezes necessárias, para que os danos se minimizem, é dar incondicionalmente, é querer receber na mesma medida se puder ser, porque quando não é, mãe fica do mesmo jeito, com mágoa mas no mesmo foco…
Ser mãe é ser e ter o mundo aos seus pés, sem norte, mas confiante de onde está o sul…
Ser mãe, é se alegrar com as escolhas dos filhos, partilhar as escolhas dos filhos, mesmo quando essas escolhas e partilhas não eram exactamente o que as mães haviam idealizado…
Pois é, mas ser mãe é deixar ser filho também,…
Mas quando se é mãe, com a sobrecarga de se ser pai também, tudo se complica a quadruplicar quintuplicar e por aí vai…
É fazer tudo que uma mãe faz, acumulando as tarefas o que o pai deveria fazer, e ter o discernimento de saber separar as águas, tarefa super difícil…
Esforço emocional descomunal, por vezes (muitas) mal compreendido, mas mães não têm manuais de instruções, muito menos o manual de pai…
Ficamos então com a nossa intuição feminina, maternal, humana, o restante deixamos também na nossa intuição que deveria ser a masculina, mas não se tem tudo, então faz-se o melhor que se sabe…
O resultado é fascinante, mas não em todos o filhos, por isso as mães sempre se penalizam pensando que nunca fizerem o seu melhor, que poderiam ter feito sempre mais qualquer coisa, ou chegar à conclusão que deveriam ter feito muito menos…
Mas. os filhos são dispares, temos que aceitar que fizemos sempre o melhor a pensar no melhor, e os filhos têm que aceitar como sendo o melhor, mas este melhor apenas será valorizado (por alguns) quando eles também, tiverem filhos…
Para valorizar Mães, em muitos casos só é possível, quando se for mais uma…
Assim é ser Mãe…

Albertina Correia
19/08/2014

DUALIDADES

DUALIDADES

As verdades que separam
A altivez da sensibilidade
Têm cunho cravado
De anos passados…

Devemos assumir a diferença
Porque ela é também nossa pertença
E
Rouba a nossa liberdade
Tal como a nossa genuinidade…

Essa que se infiltra em nós
Que não nos deixa ser como somos
Faz com que nos sintamos
À margem da nossa verdade

Verdade que só cada um pode alterar
Mas que não lhes é permitido sonhar

Quando caímos na tentação
De ser nós mesmos com todos a nossa pretensão
Mormente somos confundidos com hipocrisia
Da verdade que anda contida…

Albertina Correia
15/08/2014